“Retirada de amianto é pirotecnia política”, diz ex-secretário do Meio Ambiente
Da Redação
Marcos Boock Rutiliano era secretário municipal quando começaram a ser cobradas ações sobre o material abandonado; ele afirma que a contratação de empresa para o transporte e destinação do amianto não é a medida mais adequada
Uma das maiores questões ambientais de Avaré ainda é fonte de preocupação para a Prefeitura de Avaré. Desde meados de 1990, o depósito de amianto a céu aberto que foi abandonado por uma antiga fábrica, a 400 metros das margens do córrego do Camargo, encontra-se à espera de uma solução.
A atual administração, em contato com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, firmou parceria para retirar o material e transportá-lo até um aterro específico, a um custo superior a R$ 400 mil. Mas, para o ex-secretário municipal do Meio Ambiente Marcos Boock Rutigliano, a solução é “questionável”.
Recentemente, através de licitação, a Prefeitura contratou uma empresa
da cidade de Tremembé, pelo valor de R$ 456 mil para realizar a
retirada, o transporte e a destinação do amianto. “Tudo isso é um
exagero, visto que com muito menos dinheiro seria possível uma
destinação mais simples e eficaz”, explica Rutigliano.
“Eu acho que as coisas não podem ser tratadas de maneira política e sim
de maneira mais técnica, não com toda essa pirotecnia que estão
fazendo, chamando a atenção de todos”, disse ele, defendendo que não
seria necessário transportar o material para outra cidade, pagando um
valor considerado “exorbitante”.
ATERRO ESPECÍFICO – Ele ainda afirmou que caso algum interessado
tivesse realizado um levantamento mais profundo no caso, veria que não
havia a necessidade de realizar uma obra como essa e com tal custo. “O
normal, o mais correto, seria tratar cuidadosamente não só do amianto
abandonado, mas também do proveniente de entulhos, que são contagiosos
da mesma maneira e não estão sendo descartados de maneira adequada”,
completou o engenheiro agrônomo.
Ele diz que, segundo seus estudos, o ideal seria implantar um aterro,
em alguma localidade adequada, onde seriam depositados todos os
resíduos abandonados de amianto ainda existentes na cidade, com um
custo menor e com muito menos “pirotecnia política”. “São caixas d’água
e telhas de amianto, que são descartados como entulho e com alto
potencial de contaminação, que deveriam ser recolhidos e levados para
um descarte mais seguro, dentro de um aterro criado para esse fim”,
alerta.
HISTÓRIA SEM FIM – Desde a falência da empresa Auco, o destino das
toneladas de amianto que sobraram da fabricação de pastilhas de freio
automotivas é uma questão que vem atravessando as várias
administrações. O assunto já foi tema de várias reportagens na Comarca,
que sempre cobrou do Poder Público uma solução para o caso, já que a
substância é considerada contaminante pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) e foi banida nos Países de Primeiro Mundo devido aos efeitos
cumulativos e cancerígenos que provoca no ser humano.
Várias reuniões e debates foram realizados sobre o problema, mas até
hoje nenhuma solução mais efetiva foi adotada. Um dos períodos em que o
assunto mais ganhou notoriedade foi na gestão de Wagner Bruno, quando
Marcos Boock era o titular do Meio Ambiente. Ele afirmava na época –
como hoje - que o amianto não é tão ofensivo à saúde, e que também
durante todo esse tempo não foi constatado nenhum tipo de contaminação,
a pessoas ou ao meio ambiente.
Ele afirma ainda que o amianto, da forma como é encontrado na antiga
fábrica, não é ofensivo à saúde, e sim, apenas quando está triturado,
em forma de pó. Ainda afirmou que o amianto encontrado abandonado não
chega a 1% de todo o material, enquanto o encontrado em telhas e caixas
d’água, podem chegar a 50%. “Na época em que era secretário, cheguei a
encomendar análises da CETESB e de uma empresa particular, que também
não apresentaram contaminação ao ambiente. Mas acho importante que se
faça a remoção, desde que de maneira mais técnica”.