Conversa Pra Boi Dormir e-mail
Avaré, 07 a 13 de Agosto de 2010

Papel aceita tudo, já dizia meu sábio avô. E ele estava certo. No afã de uma retórica torta, há os que se utilizem de documentos com informações disparatadas para engrupir os incautos com falsas afirmações. É algo parecido com a foto de um disco voador. A maciça maioria delas é fraude, das mais toscas. Mas, para quem pouco entende de fotografia, é fácil acreditar em homenzinhos verdes vindos de Marte – também, olha a foto!
O exercício diário do jornalismo é não acreditar em disco voador. É duro ser um cético. O cético é chato, muitas vezes malquisto e até considerado persona non grata em certos círculos. É compreensível: o cético acaba com a graça de tudo. Quem não gosta de acreditar em disco voador? E no Curupira?
E as grandes histórias estão sempre onde ninguém enxerga aquilo que os antigos chamavam de “gato na tuba”. E parece que tem gato na tuba da prestação de contas da Emapa. Está certo o Roberto Araújo quando diz não acreditar que as pessoas que integraram a comissão da Emapa possam ter cometido alguma ilegalidade no trato com o dinheiro público. Eu compartilho da mesma tese. Mas tem um gato miando na tuba. E como mia..
Mas essa é outra história. Vamos esperar que todos os atos da comissão tenham sido realizados com as devidas licitações, notas fiscais, tudo o que se espera de uma exposição feita com dinheiro público e gerida por pessoas de reconhecido respeito perante a sociedade. E aí quem sabe, o gato pare de miar.
E outro ponto: do alto de quatro décadas de história, a Emapa é uma exposição que, em seu auge, nunca ficou abaixo do ranking das cinco melhores do Brasil. Não é um evento que começou há três, quatro anos atrás. Teve seu início na década de 60, na época do presidente Castello Branco, em pleno regime militar. Como faz tempo! São mais de quatro décadas de história, de prefeitos e presidentes da exposição que ajudaram, ano a ano, a construir a fama e a importância de uma exposição que continua sendo uma referência nacional. E renegar o peso desse legado seria, no mínimo, um desrespeito com ilustres personagens da história de nossa cidade.
Em uma cidade onde o Horto tem o lago seco e perde suas árvores e torneio de pesca tem peixes impróprios para consumo, é vital que um evento como a Emapa receba todas as atenções dos avareenses. Mais do que em devoção ao passado, que seja pelo menos em respeito ao futuro de nossa cidade como pólo de agronegócios, gerador de divisas e de melhores perspectivas para as próximas gerações.  

Alexandre Taniguchi

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