Avaré, 24 a 30 de Julho de 2010
Menos de 24 horas depois de uma manifestação contra o corte de árvores no Horto Florestal, o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, expediu ofício determinando a imediata suspensão da derrubada da mata nas trilhas do ex-cartão postal de Avaré.
O protesto foi realizado no final da tarde de quinta-feira, 22, no próprio Horto, e reuniu um grande número de pessoas, além de órgãos de imprensa e autoridades. Iniciativa da TV Avaré e do jornal A Comarca, que anunciou a mobilização em seu último Editorial, a manifestação teve apoio imediato do prefeito Rogélio Barchetti e da Associação de Defesa do Meio Ambiente (Adema), representada pelo seu presidente, Cláudio Ciccone, além do Padre Milton Perretti.
O ato foi uma resposta à destruição do Horto Florestal que, além do
desmatamento, ainda não teve recuperado o seu lago, esvaziado devido à
queda da barragem no início do ano. Inúmeras matérias têm sido escritas
para denunciar a degradação de um dos principais cartões postais da
cidade – mas apesar do longo tempo decorrido, nem a derrubada das
árvores cessou e nem a barragem foi consertada.
Também estiveram presentes no ato secretários municipais, bem como
Mauro de Oliveira e Cassio Jamil, presidentes respectivamente do
Sindicato dos Comerciários e da Associação Comercial (Acia).
DESASSOREAMENTO – Antes do protesto, o prefeito foi acompanhar os
serviços de desassoreamento do lago, que estão sendo realizados por uma
máquina drag-line. Segundo Barchetti, assim que terminarem os trabalhos
de desassoreamento do lago, onde deverão ser retirados 20 mil metros
cúbicos de terra, deverá ter início a recuperação da barragem, que terá
sua vazão ampliada para conter as águas das chuvas, evitando assim que
algo semelhante venha a ocorrer no futuro.
Na ocasião foi apresentada a logomarca da manifestação, com o slogan
“Basta de cortes de árvores no Horto Florestal”. Em sua fala, Cassio
Jamil se disse “surpreso” com a situação do Horto e disse que a Acia
apóia a iniciativa por entender que um espaço turístico deve ser
preservado, já que Avaré depende do movimento de turistas, sendo que o
Horto é um dos pontos de atração da cidade. Na mesma linha, Mauro de
Oliveira lembrou que o Horto era um espaço que deixava o avareense
orgulhoso e tudo deve ser feito para a sua recuperação.
DESCONTENTAMENTO – Segundo Cláudio Ciccone, o Horto é uma reserva
florestal e deveria ser preservada, inclusive no aspecto de educação
ambiental. Já Barchetti explicou que, para o Estado, o Horto é uma
reserva extrativista e não de preservação e que os cortes estariam
dentro da legalidade. “Mas não podemos concordar com isso, é por isso
estamos neste protesto, porque não aceitamos essa derrubada de
árvores”, disse, reafirmando a validade da manifestação. Ele também
anunciou que, se for preciso, montará acampamento no local no intuito
de sensibilizar as autoridades. “Vamos resistir, de forma pacífica, mas
mostrando o nosso descontentamento com essa situação”.
O Padre Milton Perreti também manifestou seu apoio ao protesto e depois
fez uma bênção aos presentes. Em virtude da suspensão dos cortes, a
campanha “Basta” também será interrompida – enquanto essa situação for
mantida. Mas mais um ato deve marcar o descontentamento dos avareenses
com a situação do Horto: um culto ecumênico, que terá lugar no próximo
domingo, 1º de agosto, no Horto Florestal.
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