AcontecendoOperários da UPA promovem sexta paralisação

A Comarca23 de setembro de 20147 min

Operários da UPA promovem sexta paralisação

Paralisação dos trabalhos completou 10 dias na sexta-feira, 19; greve será mantida até que a empresa responsável pague os salários dos funcionários

Da Redação 

greve upa (7)

Trabalhadores da empresa responsável pela construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Avaré estão em greve desde o dia 9 de setembro. A paralisação se deve ao não pagamento dos salários dos operários.

De acordo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Botucatu e Região, José Luiz Fernandes, esta foi a sexta paralisação em sete meses. Os 18 funcionários só devem retomar o trabalho depois que situação for solucionada.

Além do salário atrasado, Fernandes afirma que os operários estão com a cesta básica atrasada há dois meses. Além disso, a empresa não estaria cumprindo a Norma Regulamentadora 18 (NR-18), que assegura segurança do trabalho na construção civil. “Não fornecem nenhum equipamento de segurança. Os operários estão sem calçados, capacetes, sem luvas de proteção. Isso é muito grave”, avalia.

O sindicalista afirma também que o canteiro de obras oferece risco. Um dos pontos destacados foi a serra, fixada em uma bancada de madeira, onde não existe nenhum equipamento de segurança.

Outro equipamento que pode oferecer risco é uma das betoneiras, cuja roldana foi “remendada” com pregos e parafusos para evitar que se solte. A mesma betoneira é ligada à energia enrolando fios elétricos à tomada.

As condições de trabalho também foram questionadas por Fernandes, que frisou as péssimas condições de uso do banheiro, além de um fogão improvisado com tijolos, que teria sido montado pelos trabalhadores, e uma torneira, usada como pia.

greve upa (4)

IRREGULARIDADES – Ainda de acordo com o sindicalista, a empresa contrata para construir a UPA pode ter cometido uma grave irregularidade, terceirizando os serviços de alvenaria e rebocagem. “A empresa venceu uma, e ele fica responsável por realizar todas as etapas da construção. Mas ao invés disso, ela contratou outra empresa para realizar esse serviço”, alega.

Segundo Fernandes, o atraso no salário dos operários se deve por conta disso. “A Prefeitura passa o dinheiro a construtora, que ao invés de honrar os salários dos trabalhadores, usa esse dinheiro para pagar essa terceirização”, explica.

Ainda de acordo com o sindicalista, tanto o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Botucatu e Região quanto os operários tem conhecimento de que a Prefeitura de Avaré está fazendo os repasses em dia. No entanto, Fernandes afirmou que, caso seja precise entrar com um processo contra a empresa, a Prefeitura será citada.

Além disso, por se tratar de uma obra pública, a Prefeitura, em tese, seria responsável por fiscalizar o andamento da construção e as condições de trabalho no local, explicou o sindicalista.

P9180153

ATRASO NA ENTREGA – A entrega da obra está prevista para 13 de novembro deste ano. No entanto, José Luiz Fernandes afirma que há possibilidade de ocorrer atraso na entrega. “É preciso frisar que não são apenas os operários que estão sofrendo, mas essa condição está prejudicando toda população de Avaré, pois é um prédio público, ligado à Saúde”, finaliza.

A Prefeitura foi procurada para comentar o assunto e afirmou ter realizado o pagamento regularmente na sexta-feira, 12. Além disso, o município notificará a empresa sob pena de rompimento do contrato e até a rescisão do contrato e posterior abertura de novo processo licitatório.

EM TEMPO – Em contato com José Luiz Fernandes na manhã de terça-feira, 23, foi informado que a empresa ainda não havia pago os operários, e que a construtora teria dito que o pagamento até o final do dia. Mais informações sobre o caso na próxima edição da Comarca.

Comente

Seu endereço de e-mail não será publicado. Required fields are marked *